Fala pessoal,

Eu sou Ricardo da Fonseca de Freitas, tenho 32 anos, 18 desses dedicados ao atletismo e as corridas de rua. Sou atleta amador, licenciado em educação física, atualmente cursando bacharelado em ed física, atuo também como atleta-guia para pessoas e atletas com deficiência visual, atuando na educação física em academias, com acompanhamentos individualizados, como monitor do projeto Inclusão em Movimento, além de ser sócio e um dos treinadores da GUIAR ESCOLA DE CORRIDA, pai da Maria Clara e do Davi.

Venho aqui hoje a convite das lojas modapé, para contar um pouco sobre a minha história e um pouco da nossa humilde e singela contribuição no atletismo e nas corridas de rua. Desde já agradeço o convite e lhes digo muito, mas muito obrigado mesmo pela oportunidade ímpar, espero contribuir e tornar essa leitura o mais agradável possível.

INÍCIO NO ATLETISMO:

Fui apresentado ao atletismo ainda na escola por volta dos meus 12 anos de idade, uma vez que a escola em que eu estudava apoiava muito o esporte de uma forma geral. Logo lá estava eu correndo, saltando e fazendo tudo que dava para fazer, participando de campeonatos interséries e intermunicipais, mas até aí o atletismo era mais uma opção de modalidade esportiva, já que nesse tempo, tínhamos várias opções de modalidades para participar, e éramos muito incentivados pelos professores e professoras a participar e experimentar o maior número de atividades possíveis, e mal sabia eu que dali em diante o atletismo, mais especificamente as corridas de rua seriam as minhas paixões e que minha vida mudaria por conta disso.

AS CORRIDAS DE RUA:

Dois anos após iniciar no atletismo escolar, fui a convite de dois amigos participar de uma corrida rústica, um pouco sem entender como funcionava e como era uma "corrida rústica" nós fomos, porque o que nós gostávamos mesmo nessa época era de estar envolvidos e "bagunçando" gostávamos do agito (risos). Fomos, corremos e subimos no pódio, o que no momento me fez literalmente me apaixonar pela corrida de rua, e á partir daquele dia, eu decidi que eu queria aquilo para sempre, com 14 anos eu decidi que eu queria o esporte e mais especificamente a corrida para sempre na minha vida.
Á partir daí, fui buscando cada vez mais corridas, conheci pessoas, equipes e clubes de corrida da cidade, fiz parte de alguns desses clubes, e com isso fui me desenvolvendo, e aos poucos evoluindo, participando de competições na região e no estado, e países vizinhos como Argentina e Uruguai.
Em 2004 com 16 anos tive a oportunidade de participar de dois campeonatos estaduais de atletismo, um na categoria menores e outro na categoria juvenil, na época representando a equipe de atletismo da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Nesses dois estaduais fui medalhista de bronze nas provas de 1500 e 5000 metros. Com 19 anos entrei para o exército aonde tive a oportunidade de representar o mesmo durante os sete anos que permaneci na instituição, tanto em competições internas quanto externas, sempre compondo as equipes de atletismo e corrida rústica.

A PARADA:

Porém como nem tudo são flores, com 24 anos de idade, ou seja, com 10 anos envolvido com as corridas de rua decidi parar, isso mesmo, apesar de estar em uma ótima forma física, decidi que não queria mais correr e senti que "não havia mais graça" em correr, pois eu já não sentia mais tudo que eu sentia antes correndo, ou seja, a corrida não me desafiava e não me motivava mais, então lá estava eu, com 24 anos, com uma ótima forma física, com uma boa experiência em corridas, sem vontade de correr. Durante o período em que fiquei "parado" pratiquei outras modalidades, sempre de forma a me manter ativo, porém nada que me deixasse empolgado como a corrida me deixou um dia.

EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO:

Em 2015 entrei para Universidade Federal do Pampa, Unipampa, mais especificamente para o curso de educação física, e durante o curso conheci colegas que assim como eu manifestaram o desejo de trabalhar atividades físicas para pessoas com deficiência, tema que sempre me despertou um interesse. Então durante o curso criamos e damos início de forma voluntária ao projeto Inclusão em Movimento, que desenvolve a prática de atividades físicas para pessoas com deficiência. E foi no projeto que tive a oportunidade de trabalhar e me dedicar a função de atleta-guia.


RETORNO AS CORRIDAS COMO ATLETA-GUIA:

Na Universidade conhecemos um aluno do curso de ciências da natureza com deficiência visual, e a convite dos monitores do projeto ele começou a frequentar nossas atividades, manifestando o desejo de praticar uma modalidade esportiva, e que essa modalidade seria a corrida de rua, porém para que isso fosse possível esse aluno precisava de um atleta-guia. Foi então que os outros colegas monitores me chamaram e solicitaram, quase que me convocando a ser o guia desse aluno. Começamos o trabalho e em 6 meses estávamos participando da nossa primeira corrida rústica, representando o projeto Inclusão em Movimento. Participamos de várias corridas, uma delas inclusive a corrida rústica das lojas modapé. Á partir daí reencontrei o prazer de correr e a motivação que tinha perdido a alguns anos atrás, por um momento parei e pensei que eu estava guiando o primeiro atleta com deficiência visual da cidade e isso para mim representava muito, pois estávamos escrevendo história. Continuamos nos preparando, treinando, e evoluindo até que chegamos nas paralimpíadas universitárias no ano de 2019 em São Paulo/SP aonde participamos da prova dos 1.500 metros da classe T12 ficando com o segundo lugar e trazendo para uruguaiana a medalha de prata. Infelizmente com o atual cenário ele virou a vulnerabilidade dos nossos alunos do projeto está parado eu atualmente não estou atuando como guia. Porém retornei aos treinos e as corridas de rua, e aos poucos estou recuperando a forma, o que me faz ter esperança de logo estar disputando provas em um bom nível.

GUIAR ESCOLA DE CORRIDA:

Atualmente sou sócio e um dos treinadores da GUIAR ESCOLA DE CORRIDA, buscamos desenvolver um trabalho diferenciado pois somos dois profissionais trabalhando em conjunto para melhor atender nossos alunos e alunas. O nome e a marca foram escolhidos justamente com a intenção de mostrar nosso desejo, pois o que queremos é GUIAR nossos alunos pelo melhor caminho, não só na corrida mas em tudo que possamos proporcionar uma melhor qualidade de vida a todos e todas. O que espero para o futuro é que possamos amadurecer e crescer enquanto escola de corrida.
Pessoal e profissionalmente espero me aperfeiçoar mais em algumas áreas da educação física, como atletismo e paratletismo, bem como buscar bons resultados pessoais nas corridas de rua. Espero ainda contribuir para esse esporte que acompanha a minha vida e que eu possa de certa forma ajudar as pessoas a melhorar a vida delas através da corrida.

Lojas Modapé, mais uma vez muito obrigado pela oportunidade.

A todos e todas um forte abraço, e que possamos ter muitos e muitos quilômetros de vida pela frente.

Nos encontramos por aí nas "correrias"